Erro 404: quando corrigir e quando deixar
Um 404 não é uma avaria. É a resposta correta e honesta a um pedido de algo que não existe. O seu servidor faz exatamente aquilo para que foi feito, e a maioria dos 404 de um relatório de rastreio não merece qualquer ação.
A boa pergunta nunca é «como me livro deste 404». É «quem ainda aponta para lá».
A única coisa que torna um 404 caro
Um 404 custa-lhe algo quando alguém, ou alguma coisa, ainda espera uma página naquele sítio:
- outra página do seu site remete para lá: o visitante bate numa parede em plena leitura;
- outro site remete para lá: perde o valor de um link que alguém lhe deu;
- continua a receber tráfego: de um marcador, de uma newsletter, de um resultado de pesquisa ainda desatualizado;
- está no seu menu ou no seu sitemap: anuncia uma página que não está lá.
Se nada disto for verdade, esse 404 é um URL que ninguém pede. Não é um problema. É um facto.
Reconhecer a origem já é decidir
Um relatório de rastreio mistura 404 que nada têm a ver uns com os outros. Separá-los por origem leva dez minutos e divide o trabalho por três.
| Origem | Como a reconhecer | O que merece |
|---|---|---|
| Página eliminada de propósito | Você lembra-se | Nada, ou um redirecionamento se era citada |
| URL renomeado | O antigo e o novo parecem-se | Um redirecionamento, e corrigir os links internos |
| Gralha num link | Uma só página em causa | Corrigir o link, não a página |
| Link externo mal copiado | O URL contém um parêntese, uma vírgula | Um redirecionamento, do outro lado ninguém corrige |
| URL inventado por um robô | Formas absurdas, parâmetros estranhos | Nada, nunca |
| Ficheiro deslocado | Imagens, PDF, anexos | Um redirecionamento se o documento ainda existir |
As duas últimas linhas representam muitas vezes metade de um relatório e não pedem trabalho nenhum. Tratá-las como as outras é a forma mais comum de transformar uma tarde útil numa semana perdida.
A triagem, por ordem
1. Alguma coisa remete para lá a partir do seu próprio site? Corrija o link, não a página. É de longe o caso mais frequente e o mais rápido de tratar: modifica um artigo em vez de ressuscitar uma página. Só que é preciso saber em que página está o link, e é justamente isso que os métodos de busca gratuitos dão quando são empregados corretamente.
2. Um site exterior remete para lá? Então a página tinha um valor que outra pessoa reconheceu. Reponha-a, ou redirecione-a para o equivalente mais próximo que exista mesmo.
3. Continua a receber tráfego sem link nenhum? Marcadores antigos, referências impressas, um código QR num documento. Um redirecionamento para a página útil mais próxima é aqui uma gentileza.
4. Nada disso? Deixe estar. Retirá-la do seu sitemap é todo o trabalho.
404, 410 e o falso 404: três respostas, três efeitos
| Resposta | O que diz | Efeito |
|---|---|---|
| 404 | Aqui não há nada | O robô voltará de vez em quando |
| 410 | Ido de propósito | O robô desiste mais depressa |
| Página «não encontrada» em 200 | Contradição | O pior dos três |
O terceiro caso, chamado falso 404, é um acidente corrente com as páginas de erro improvisadas num CMS: o visitante vê um erro, a máquina vê uma página normal. O motor indexa então dezenas de páginas idênticas a anunciar que não há nada, e você pergunta-se depois porque é que o seu site parece cheio de conteúdo duplicado.
Entre 404 e 410 a diferença é ténue e sem consequências para um visitante. O 410 justifica-se quando tem a certeza de que a página nunca voltará, o que é mais raro do que se pensa.
Dois gestos que parecem correções e não são
Redirecionar tudo para a página inicial. O leitor que clicou em «o nosso guia de preços 2023» aterra numa página inicial e não percebe porquê. Os motores, por seu lado, tendem a ler um redirecionamento para a página inicial como «não existe equivalente», o que o 404 já dizia, mas com uma pior experiência à mistura.
Redirecionar para uma página vagamente próxima. É o mesmo erro de forma mais discreta. A decisão toma-se página a página, e a árvore que a resolve cabe em quatro perguntas.
O que contém uma verdadeira página 404
Escreva-a uma vez e aplicar-se-á a todos os URL partidos que ainda não encontrou. Bastam quatro elementos:
- Uma frase clara: esta página não existe ou já não existe. Sem humor obscuro, sem código de erro sozinho.
- Um campo de pesquisa, porque o visitante procurava algo preciso.
- Dois ou três links reais para as páginas mais pedidas, não o seu menu inteiro copiado.
- O código HTTP certo, ou seja 404. É a parte que se esquece, e a única que fala às máquinas.
Uma hora de trabalho, e um beco sem saída torna-se um desvio. Verifique depois o código a sério em vez de o assumir: muitos construtores de sites servem uma bonita página de erro com o estado 200, e a diferença é invisível no navegador. As ferramentas de programador mostram-na no separador de rede em dois cliques, e esses dois cliques decidem se a sua bonita página é uma informação ou uma armadilha.
Os 404 que ninguém vê passar
Três famílias escapam ao mesmo tempo aos relatórios de rastreio e à releitura humana, e produzem estragos silenciosos.
Os ficheiros. Uma imagem em falta, uma folha de estilos deslocada, um PDF retirado do servidor. O visitante não vê um erro, vê uma página que parece partida, o que é pior porque não saberá o que lhe dizer.
As páginas acessíveis apenas do exterior. Um endereço enviado numa newsletter, impresso num folheto, colado numa assinatura de correio. Nenhum link interno lá leva, portanto nenhum rastreador a testa, e no entanto há gente que a pede.
Os redirecionamentos partidos a meio. O URL antigo redireciona para um endereço intermédio que, por sua vez, já não existe. O relatório mostra um redirecionamento válido, e o visitante aterra num erro dois saltos adiante.
Os registos do seu servidor são o único sítio onde estas três famílias aparecem, porque guardam o que as pessoas pediram realmente, e não o que o seu site propõe.
Uma rotina que aguenta
O ritmo conta mais do que a profundidade. Uma rotina realista cabe em três gestos: um controlo completo por trimestre, um controlo das páginas do menu e do rodapé após cada modificação de modelo, e um olhar aos erros da Search Console uma vez por mês. É pouco, é exequível, e apanha o essencial antes que um leitor o faça no seu lugar.
Quantos 404 são demasiados?
Não há limiar, e essa é a resposta honesta. Um site de dez anos com quinhentos 404 de que nenhum está ligado está melhor do que um site de dois anos com dez 404 em pleno menu. O número não diz nada; a pergunta «quem ainda aponta para lá» di-lo tudo.
O que circula, em contrapartida, é a ideia de que um monte de 404 desperdiça a atenção dos motores. É falso na quase totalidade dos casos: o orçamento de rastreio não diz respeito a quase ninguém, e certamente não a um site que tenha algumas centenas.
Dois momentos merecem, em contrapartida, atenção verdadeira, porque os 404 chegam lá às centenas e por más razões: uma remodelação e uma migração. A lista de verificação correspondente trata o assunto na fonte, o que fica sempre mais barato do que tratá-lo depois.
Vale a pena desfazer uma confusão antes de fechar: um 404 e um erro de servidor não se tratam de todo da mesma forma. O primeiro é uma resposta certa a um pedido sem objeto; o segundo diz que algo está partido em sua casa, agora, e lê-se com pressa. Os 500, 502 e 503 têm a sua própria grelha.
E não esqueça a metade do problema que não consta de nenhum dos seus relatórios: os links que saem de sua casa para páginas mortas noutro lado. Esses não sobem a lado nenhum, e são no entanto aqueles em que os seus leitores clicam primeiro.
Perguntas frequentes
Os erros 404 prejudicam o meu posicionamento?
Uma página que devolve 404 é simplesmente retirada do índice, o resto do site não é castigado por isso. O que custa é um 404 para o qual outras páginas, ou outros sites, ainda apontam.
É preciso redirecionar todos os 404 para a página inicial?
Não. É o erro mais frequente. O visitante que clicou numa referência concreta aterra noutro sítio, e os motores tratam de qualquer modo um redirecionamento para a página inicial como uma página sem equivalente.
Vale a pena uma página 404 personalizada?
Sim, e é a correção mais barata desta lista. Uma página que diz o que aconteceu e oferece uma pesquisa transforma um beco sem saída num desvio, seja qual for a causa.
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