Seguir os backlinks numa folha de cálculo: até onde vai

Por Fabien Hernoux 7 min de leitura

A folha de cálculo é o bom ponto de partida, e continua útil muito mais tempo do que os vendedores de ferramentas querem admitir. O problema não é que fique lenta, nem que lhe faltem linhas. É que uma folha de cálculo regista o que lhe disseram, ao passo que um link é um facto sobre uma página, agora.

O que a folha faz melhor do que qualquer ferramenta

Tudo o que toca à relação. Quem contactou, quando, o que ficou combinado, o que propôs, em que artigo saiu, a quem escrever se desaparecer, quanto lhe custou, e a nota que diz «pediu para ser mantido ao corrente».

Nenhuma ferramenta de vigilância guarda isso, porque nada disso vive na página. Um rastreador pode dizer-lhe que um link desapareceu; não lhe pode dizer que a pessoa que o colocou lhe deve uma resposta, ou que combinaram não insistir até Setembro. Se abandonar a folha ao adotar uma ferramenta, perde metade do seu perfil de links, aquela que fala de pessoas.

As colunas que aguentam, e as que apodrecem

Coluna Quem a mantém atualizada Quanto tempo continua verdadeira
URL da página de origem Ninguém, não muda Indefinidamente
Contacto, data, acordo feito Você, uma vez Indefinidamente
Custo, contrapartida, prazo Você, uma vez Indefinidamente
Julgamento: este link vale um esforço Você, uma vez Anos
Estado: online, perdido, nofollow Ninguém Algumas semanas
Texto de âncora registado Ninguém Alguns meses
Data da última verificação Você, em cada passagem É a coluna honesta

A divisão é nítida: tudo o que descreve uma decisão continua verdadeiro, tudo o que descreve um estado caduca. Uma folha de cálculo brilha na primeira metade e não tem forma nenhuma de manter a segunda.

A coluna que mente

Toda a folha de backlinks tem uma coluna estado. Online, perdido, nofollow.

Essa coluna é verdadeira no dia em que a preenche e começa logo a degradar-se. Três meses depois olha para uma célula verde que descreve uma página que não abre desde a Primavera. A folha não o sabe; pior, não parece não o saber. Uma célula caducada e uma fresca têm exatamente o mesmo tom de verde.

É todo o limite, e nada tem a ver com o tamanho. Quarenta linhas verificadas pela última vez em Março são menos fiáveis do que quatrocentas verificadas esta noite.

A correção mínima, se não mudar mais nada no seu método: acrescente uma coluna «verificado a», e pinte a linha em função da idade dela em vez do estado. Aí verá o que realmente sabe.

Quando a verificação manual aguenta mesmo

  • Abaixo de uma vintena de links a que dê importância, com o hábito de os abrir.
  • Links sobre os quais de qualquer forma não tem influência: uma menção de imprensa, uma mensagem de fórum, um arquivo. Sabê-lo mais cedo não mudaria nada.
  • Uma campanha terminada. Já não chega nada de novo; está curioso, não responsável.
  • Um perfil muito estável, em que os links vêm de sites instalados há dez anos e que ninguém refaz.

Nesses casos, uma hora por mês com a folha aberta é uma escolha perfeitamente racional, e mais barata do que qualquer subscrição. Ninguém o deve convencer do contrário. Comprar uma ferramenta porque «devia ter-se» é a forma mais cara de resolver um problema que não tem.

Onde se parte, concretamente

Parte-se quando outra pessoa depende da resposta. Um cliente pergunta se os links que anunciou em Março continuam no sítio. Ou passa uma tarde a abrir páginas, ou responde a partir de uma coluna em que já não acredita.

Parte-se também em silêncio nas mudanças que não são remoções: um link deixado no lugar mas passado a nofollow, uma âncora reescrita durante uma revisão, uma página de origem posta em noindex. Essas nunca se anunciam, e nenhuma disciplina permite detetá-las a olho, porque não há nada para ver: são as mudanças que só uma comparação no tempo revela.

E parte-se no momento mais caro: durante uma remodelação, a sua ou a de um parceiro, quando várias dezenas de links mudam de estado na mesma semana. É exatamente aí que uma folha trimestral chega tarde.

O modelo que funciona, se começar do zero

Bastam sete colunas, e a ordem importa porque conta a vida do link:

  1. Página de origem: o URL exato, nunca só o nome do site.
  2. A sua página de destino: a que tem de continuar a responder.
  3. Contacto e data: a pessoa, não a empresa.
  4. Origem: editorial, artigo convidado, troca, pago. Esta coluna evita conversas desagradáveis dois anos depois.
  5. Julgamento: vale um esforço, ou não. Escrito uma vez, com conhecimento de causa, apoiando-se nos critérios que fazem um bom link.
  6. Verificado a: a única coluna de estado honesta.
  7. Notas: todo o resto, em texto livre. É a coluna mais preciosa e aquela que nenhuma ferramenta produzirá alguma vez.

O que não merece coluna: as pontuações de autoridade copiadas à mão, que daqui a seis meses estarão erradas, e os estados de toxicidade, que só servem para inquietar. A rejeição decide-se noutras bases.

Quanto custa realmente um controlo manual

O cálculo faz-se poucas vezes, e resolve a questão melhor do que qualquer argumento. Verificar um link a sério é abrir a página, procurar o seu domínio no código-fonte, ler o atributo rel, registar a âncora e anotar a data: um minuto e meio se tudo correr bem, mais se a página for pesada ou se o link se tiver movido.

Número de links Uma passagem completa Se o fizer todos os meses
20 30 minutos 6 horas por ano
60 1 h 30 18 horas por ano
200 5 horas 60 horas por ano

O que esta tabela mostra não é que o manual se torne impossível: é que se torna irregular. Ninguém reserva cinco horas por mês para abrir páginas, portanto a passagem falha um mês, depois dois, e a coluna «estado» envelhece sem que nada o assinale. O ponto de viragem não é quando o trabalho fica demasiado longo, é quando deixa de ser feito.

Três erros que se encontram em quase todas as folhas

Anotar o nome do site em vez do URL exato. «Blogue do Fulano» não se verifica. Seis meses depois ninguém sabe em que página estava o link.

Uma só linha para três links do mesmo site. Não vivem a mesma vida: um está num artigo, outro numa página de recursos, o terceiro num rodapé. Uma linha por link, sempre.

Apagar as linhas dos links perdidos. Com elas vai-se a memória dos seus contactos. Uma linha arquivada, com a data do desaparecimento e a razão, vale mais do que um ficheiro limpo: é ela que o impedirá de pedir em 2027 um link que o mesmo site já lhe retirou duas vezes.

O arranjo que funciona

Guarde a folha para a relação e para o julgamento. Deixe que outra coisa verifique as páginas segundo um calendário e lhe assinale uma mudança de estado. A folha conterá então apenas coisas verdadeiras porque foi você a decidi-las, que é exatamente o que uma folha de cálculo sabe fazer.

Essa divisão tem um efeito secundário agradável: encurta a folha. As colunas de estado desaparecem, as de decisão ficam, e o ficheiro volta a ser legível.

Para ler também: porque desaparecem os links, que explica porque a frescura de uma verificação conta mais do que a sua minúcia.

Na Expansel Monitorização de backlinks O Expansel relê regularmente as páginas que devem apontar para si, e avisa-o se o link desapareceu ou passou a nofollow.

Perguntas frequentes

Basta uma folha de cálculo para seguir backlinks?

Para a parte relacional sim, e muitas vezes melhor do que uma ferramenta. Para o estado de cada link hoje, não: uma folha regista o que lhe disseram, não o que a página contém neste momento.

A partir de quando deixa de servir?

Não a partir de um número de linhas. Falha quando a coluna «estado» fica mais velha do que a sua memória de a ter preenchido: o que costuma acontecer muito antes de dar por isso.

Devo deitar fora a folha de cálculo?

Não. Guarde-a para o que faz bem: quem, quando, o que ficou combinado, a quem escrever. Deixe que outra coisa responda se o link ainda lá está.

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